A partida é um dia que vale a pena viver

A autora descreve, em 25 capítulos breves, seu olhar em relação ao cuidado e aos direitos dos indivíduos que sabem que estão próximos ao dia de sua partida. Além disso são discutidos aspectos relacionados à formação médica e ao manejo dos pacientes e de seus familiares. O texto é construído em linguagem simples e apresenta ritmo de uma conversa. Trata de um olhar sensível, construído a partir das experiências da autora como médica especialista em cuidados paliativos.

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A proposta do texto é desbravar o território do fim da vida e torná-lo menos ameaçador para todos os atores envolvidos nesse último ato (profissionais, familiares e o próprio indivíduo). Além disso, o relato apresentado busca construir um novo olhar para a vida a partir da consciência da finitude e vulnerabilidade humana.

Antes de me embrenhar na exposição do texto, entendo ser interessante definir “cuidados paliativos”. Trata de uma abordagem de cuidados multiprofissional que visa pensar tratamentos hierarquizados e proporcionais entre os benefícios a serem buscados e os malefícios a serem evitados em cada fase de doença buscando a melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares, principalmente, frente a doenças graves1. Entre os objetivos desse tipo de abordagem encontram-se a prevenção e o alívio do sofrimento seja ele físico, social, psicológico ou espiritual. Atualmente, o cuidado paliativo é considerado uma especialidade médica.

Arantes inicia seu texto expondo o estigma social do médico enquanto detentor do processo de cura e da manutenção da beleza e da vida. Para tanto, realiza o relato de uma festa a qual foi convidada. Nessa festa foi calorosamente recebida pela anfitriã, contudo, conhecia apenas a mesma, o que gerou interesse/curiosidade em alguns convidados. Como habitualmente, em nossa sociedade, as apresentações são realizadas nominalmente e, na sequência é exposto “o que se faz da vida”.

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Nesse momento a autora relata que é médica. Diante dessa informação, a reação das pessoas foi expor pequenas inquietações e indagações médicas, por exemplo, buscando informações a respeito de tratamentos para rejuvenescer. Contudo, nesse cenário é revelado que sua atuação se baseia em “cuidar de pessoas que morrem” o que causou imediato espanto e desconforto nas pessoas. Falar sobre a partida ou sobre o ato de morrer em nossa sociedade parece um desrespeito ao cenário da vida e, portanto, trata de assunto censurado que deve ser ignorado ou evitado24, e, assim, a revelação de sua atuação profissional parece ter tornado sua presença na festa inconveniente. É desse ponto que se inicia a narrativa.

O livro é sobre a única certeza que temos na vida: a partida. Algo natural e que temos tanto receio de conversar.

A autora demonstra os maiores medos das pessoas que estão no fim da vida tem e expõe diversas maneiras de melhorar para quando nosso último dia chegar estarmos contentes com tudo que aconteceu.

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As propostas de mudanças da autora são pequenas e super aplicáveis ao dia-a-dia e conforme fui lendo, fui percebendo que a gente acaba criando situações que poderiam ser encaradas de forma mais leve do que imaginamos.

A escrita é incrível, faz você sentir cada palavra, cada situação descrita, se sentir abraçada em alguns trechos, pensativa em outros e no fim da leitura entende que o único responsável pela sua vida é você mesmo!

Com certeza o livro é um dos favoritos da vida e farei a releitura muitas vezes, já que traz uma sensação de conforto, reflexão e (muitos) ensinamentos. É aquele livro que TODOS deveriam ler.

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