A PONTE DO TEMPO: O mistério submerso que revela a chegada dos humanos
Uma ponte de pedra de cerca de 7 metros, escondida nas profundezas da caverna Genovesa, em Maiorca, tornou-se a peça-chave para desvendar um dos maiores debates da arqueologia europeia: quando, afinal, os seres humanos colonizaram as ilhas do Mediterrâneo Ocidental?
1. A “Marca d’Água” da História
O que torna essa ponte especial não é apenas sua construção, mas o fato de ela estar coberta por depósitos minerais de calcita.
- O Segredo Científico: Esses depósitos funcionam como “anéis de árvore” ou uma marca de nível em uma banheira. Como o nível do mar subiu e desceu ao longo dos milênios, a calcita se fixou na ponte em momentos específicos.
- A Datação: Utilizando métodos de Urânio-Tório, cientistas conseguiram precisar que a ponte foi construída há cerca de 5.600 a 6.000 anos.
2. Por que isso muda tudo?
Antes dessa descoberta, acreditava-se que Maiorca era uma das últimas ilhas a serem habitadas, por volta de 4.400 anos atrás.
- O Salto Temporal: A ponte prova que os humanos já estavam lá pelo menos 1.200 a 1.600 anos antes do que se pensava.
- Ocupação Sofisticada: Construir uma ponte de 7 metros dentro de uma caverna para atravessar um lago interno mostra que esses primeiros habitantes tinham engenharia e um propósito claro (provavelmente buscar água doce ou recursos minerais).
3. Anatomia da Descoberta
| Elemento | Detalhe |
| Material | Blocos de calcário sobrepostos sem argamassa. |
| Localização | Caverna Genovesa, Maiorca (Espanha). |
| Profundidade | Atualmente submersa devido à elevação do nível do mar pós-Era Glacial. |
| Significado | Indica que as ilhas do Mediterrâneo foram exploradas muito antes da agricultura se consolidar na região. |
4. O Mistério das Marcas de Calcita
A precisão da datação só foi possível porque a ponte possui uma “faixa de coloração” específica. Quando o nível do mar estava estável, a água criava essas crostas minerais. A análise mostrou que a ponte foi erguida antes do nível do mar subir e selar a caverna, preservando a estrutura intacta como uma cápsula do tempo.
Reflexão: É fascinante pensar que, enquanto buscamos respostas no espaço, algumas das maiores revelações sobre a nossa própria espécie estão escondidas sob metros de água salgada, em cavernas que já foram “salas de estar” ou caminhos para os nossos ancestrais.
A arqueologia em 2026
Em 2026, o uso de IA para reconstrução 3D subaquática e sensores de nova geração permitiu que essa ponte fosse mapeada sem que os mergulhadores precisassem tocar na estrutura frágil, garantindo a preservação total do sítio.