Infodemia nas redes: 4 “dicas de emagrecimento” que circulam como verdadeiras e podem colocar sua saúde em risco

Entre vídeos curtos, influenciadores e fórmulas milagrosas, a falta de especialistas abre espaço para informações sem base científica

Com a popularização dos smartphones, qualquer pessoa pode gravar e publicar vídeos sobre saúde, nutrição e perda de peso. O cenário, porém, está repleto de informações equivocadas que se espalham rapidamente, alimentando uma verdadeira infodemia. Dados de um estudo norte‑americano revelam que a maioria dos conteúdos sobre alimentação são produzidos por jovens sem formação acadêmica, focando na glorificação da magreza e em dietas extremas.

Enquanto a China já impôs regras rígidas para que influenciadores que abordam temas profissionais possuam certificação ou formação reconhecida, o Brasil ainda carece de uma regulamentação efetiva. Essa lacuna deixa o público vulnerável a conselhos perigosos, sobretudo nas plataformas de vídeos curtos, onde surgem tendências de “dicas rápidas” para emagrecer.

1. Comer 20 ovos por dia – Uma das propostas mais divulgadas recentemente sugere ingerir 20 ovos ao longo do dia para acelerar a perda de peso. Embora o ovo seja fonte de proteína de alta qualidade, vitaminas e minerais, o consumo exagerado elimina a variedade nutricional necessária. A ausência de fibras, carboidratos complexos e outros micronutrientes pode gerar déficits graves e comprometer a energia diária. O consumo seguro permanece entre dois e três ovos por dia, dentro de uma dieta equilibrada.

2. Eliminar lactose e glúten como estratégia de emagrecimento – Vídeos que promovem dietas “sem lactose” ou “sem glúten” como solução universal para perder peso ignoram que esses componentes são bem tolerados pela maioria da população. A exclusão desnecessária de grupos alimentares pode levar ao aumento do consumo de produtos processados e mais calóricos, além de reduzir a ingestão de fibras e outros nutrientes essenciais.

3. Água com sal integral como “remédio milagroso” – Algumas postagens afirmam que beber água com sal integral diariamente regula a pressão arterial, aumenta a disposição e alivia dores corporais. Na prática, o brasileiro já consome acima da dose recomendada pela Organização Mundial da Saúde, com média de 9,34 g de sal por dia. O excesso está associado a hipertensão, doenças cardiovasculares e maior risco de mortalidade. Reduzir o sal, e não aumentá‑lo, é a medida respaldada pelos principais órgãos de saúde.

4. Suplementos e “versões naturais” de medicamentos para emagrecer – A disseminação de produtos que prometem resultados semelhantes a fármacos como Ozempic, Mounjaro ou Wegovy, porém fabricados de forma artesanal ou importados sem controle, tem causado sérias complicações. Nos Estados Unidos, versões manipuladas desses medicamentos foram responsáveis por dezenas de mortes e centenas de internações. No Brasil, a prática ainda ocorre em consultórios e lojas online, expondo usuários a dosagens incorretas, contaminantes e risco de efeitos adversos graves.

Diante desse cenário, a recomendação mais segura continua sendo a busca por orientação profissional. Nutricionistas, endocrinologistas e médicos especializados são capazes de avaliar necessidades individuais, montar planos alimentares adequados e orientar sobre o uso responsável de medicamentos.

Enquanto a legislação brasileira não evolui para coibir a desinformação, cabe ao usuário exercer senso crítico: verificar a formação do autor, comparar com fontes confiáveis e desconfiar de promessas de resultados imediatos sem esforço. A saúde não pode ser tratada como um produto de consumo rápido.

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