Vestibular 2026: Psicóloga alerta para riscos de burnout em estudantes e indica estratégias para preparação equilibrada
Pressão por aprovação e longas jornadas de estudo podem comprometer saúde mental e desempenho acadêmico, segundo especialista em educação
O período de preparação para o vestibular continua sendo um dos momentos mais desafiadores na vida de milhares de estudantes brasileiros. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), mais de 1,3 milhão de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 são concluintes do ensino médio da rede pública, o que evidencia a alta competitividade e a importância do exame como acesso ao ensino superior. Diante desse cenário, a psicóloga Gabriela Rudnik, presidente do Instituto Fliegen, destaca a necessidade de repensar a forma como os estudantes se preparam para as provas, priorizando saúde mental e organização sustentável.
Rudnik, que atua com jovens de escolas públicas em projetos de olimpíadas do conhecimento, aponta que o maior erro na preparação é a crença de que o esforço deve se basear em exaustão. “Muitos estudantes entram nesse processo acreditando que precisam abrir mão do sono, da alimentação e até da própria identidade para conquistar a aprovação. Isso gera um desgaste emocional e físico que prejudica diretamente o rendimento”, afirma. Para ela, a chave está em equilibrar estudo, descanso e bem-estar.
Um dos primeiros passos para uma preparação eficaz é o autoconhecimento. Rudnik recomenda que os estudantes reflitam sobre como aprendem melhor, quais são suas dificuldades e como lidam com a pressão. “Quando você entende sua realidade emocional e reduz comparações com os colegas, consegue montar uma rotina mais realista e menos desgastante”, explica. Além disso, ela sugere evitar cronogramas extremamente rígidos, que muitas vezes levam à frustração por não serem cumpridos.
A psicóloga enfatiza que a rotina ideal não é a que ocupa todas as horas do dia, mas aquela que pode ser mantida ao longo do tempo. “Estudar por muitas horas sem qualidade não significa produtividade. O importante é trabalhar com metas diárias alcançáveis, que ajudem a reduzir a ansiedade e manter a constância”, diz. Para isso, é fundamental incluir pausas, lazer e atividades físicas, que contribuem para a memória e a concentração.
Outro ponto crucial é separar o desempenho acadêmico do valor pessoal. “O vestibular é importante, mas não define sua inteligência ou futuro. Muitos estudantes se cobram de forma excessiva, achando que seu valor depende de um resultado”, alerta. Rudnik sugere práticas como meditação, exercícios físicos e a manutenção de laços sociais para regular a ansiedade.
Por fim, a especialista reforça que a motivação não precisa estar presente o tempo todo. “O que sustenta a preparação é o compromisso com o objetivo, mesmo nos dias difíceis. Celebrar pequenas conquistas e entender que ter dias ruins faz parte do processo é essencial para não desistir”, conclui. Para Rudnik, o descanso não é um prêmio, mas parte integrante da preparação. Sono e pausas adequadas são fundamentais para evitar sobrecarga mental e manter o equilíbrio emocional.